segunda-feira, 16 de junho de 2008

Realismo

Ciranda da Bailarina - Oswaldo Montenegro
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem

Na música acima, o autor alterna-se entre o Realismo e o Romantismo - hora mostrando quem é o homem na sua forma mais pura, hora idealizando a perfeição que, claramente não existe na letra, já que, quando mostra características próprias da raça humana generaliza que todo mundo as têm. A Bailarina é apenas um símbolo utópico, uma "piada".

Auto-retrato, Auguste Courbet

Vê-se na pintura de Courbet, o despero do homem ao descobrir REALmente que ele é. Dica: ponha-se em frente a um espelho, olhe mais densamente e reflita! Você é o que pensa que é?

O Segredo dos Eus
Sem enganação. Ser realista não é ser honesto. Fala-se o que pensa, aponta-se os defeitos... Eu tenho e todo mundo têm. Alguma sugestão? Sou humano e necessito criticar! Nasço, vivo e morro na sujeira, por isso mesmo ainda tenho que ter um foco, uma idealização. Idealizo, de manhã, quando acordo, minha Bailarina. Me comparo à ela, como é linda! É um sonho que vem da caixa de música, onde ela vive intacta. Ainda não consigo tocá-la. E só quero tocá-la, empurro e bato em imitações que a invejam. Como me cansam e me seguem! Fazem parte de mim.. e tanto! Mas ainda não a conhecem ou acham que não. Poucos a vêem. É difícil de se acostumar com a criança valsando na roda, que ao fim da noite é buscada junto a seu colo pelos que choram, inconsolavelmente. Eu sei onde encontrá-la, mas preciso derrotar algumas etapas. Quem chega à pureza não o fez, durante uma eternidade, facilmente, e não espero sê-lo diferente, afinal, há tantas violetas velhas sem um colibri...
Enfim, a vida passa num instante e este é muito pouco pra sonhar. Sou a mais pura carne atrante, buscando o não-verme pra me devorar. Ó, minha Bailarina, ajuda-me a me aperfeiçoar! Quero sonhos realizados, mas reais, sem medo! Quero tapar meus ouvidos pra esse mundo mas só ouvir à música ao longe, mesmo que triste. Não sou honesto, quero liberdade e poder mostrar que parte de mim é o que penso e a outra é o que calo! Quero mostrar que sou fraco! Quero um carinho materno! Eu quero, quero, como eu quero! Talvez esse seja meu problema como pessoa, querer é destruir. E eu sou homem e destruo! Tenho como base punhais, de lâminas curtas e traiçoeiras. Relembro-me da minha Bailarina à noite, sei e sinto que ela é um sonho e preciso ser forte ( no fundo sei que ela existe ). Comparo-me à ela, sou tão humano...

Por Fadinha Filó

Um comentário:

Geruza Zelnys de Almeida disse...

de quem é esse texto?
q lindo!
G.