terça-feira, 1 de abril de 2008

Aula 3 - Romantismo

(do final do século XVIII até grande parte do XIX)
Forma mais acessível de manifestação literária; o teatro ganha novo impulso, abandonando as formas clássicas. Com a formação dos primeiros cursos universitários em 1827 e com o liberalismo burguês, dois novos elementos da sociedade brasileira representam um mercado consumidor a ser atingido: o estudante e mulher. Com a vinda da família real, a imprensa passa a existir no Brasil e, com ela, os folhetins, que desempenharam importante papel no desenvolvimento no romance romântico.
De acordo com o tema principal, os romances românticos no Brasil podem ser classificados como:
Romance indianista: O índio era o foco da literatura, pois era considerado uma autêntica expressão da nacionalidade, e era altamente idealizado. Como um símbolo da pureza e da inocência, representava o homem não corrompido pela sociedade, o não capitalista, além de assemelhar-se aos heróis medievais, fortes e éticos.
Romance urbano: Os temas desenvolvidos tratam da vida na capital e relatam as particularidades da vida cotidiana da burguesia, cujos membros se identificavam com os personagens. Os romances faziam sempre uma crítica à sociedade através de situações corriqueiras, como o casamento por interesse ou a ascensão social a qualquer preço.
Romance regionalista: Propunha uma construção de texto que valorizasse as diferenças étnicas, lingüísticas, sociais e culturais que afastavam o povo brasileiro da Europa, e caracterizava-os como uma nação. A preferência dos autores era por regiões afastadas de centros urbanos, pois estes estavam sempre em contato com a Europa, além de o espaço físico afetar suas condições de vida.

Principais autores: Joaquim Manuel de Macedo, Gonçalves Dias, José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida, Bernardo Guimarães, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu.

Principais Características:
- NACIONALISMO: exaltação da natureza da pátria, retorno ao passado histórico e criação do herói nacional, no caso brasileiro, o índio.
- SENTIMENTALISMO: a valorização das emoções pessoais: é o mundo interior que conta, o subjetivismo . A constante valorização do eu gera o egocentrismo. Surge um choque da realidade e o seu mundo. A derrota do eu leva a um estado de frustração e tédio. Daí as fugas da realidade : o álcool, o ópio, os prostíbulos, a saudade da infância, a idealização da sociedade, do amor e da mulher, logo, a morte.
- VERSO LIVRE: sem métrica
- VERSO BRANCO: sem rima

1º Geração (Nacionalista–indianista)
- NACIONALISMO
-INDIANISMO
-SUBJETIVISMO
-RELIGIOSIDADE
-BRASILEIRISMO (LINGUAGEM)
2º Geração (Mal do século) – Ultra-romantismo
Abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.
-PROFUNDO SUBJETIVISMO
-EGOCENTRISMO
-INDIVIDUALISMO
-EVASÃO NA MORTE
-PESSIMISMO
-IDEALIZAÇÃO DA MULHER
-SOFRIMENTO
-SATANISMO
-FUGA DA REALIDADE
3º Geração (Condoreira)
-LINGUAGEM DECLAMATÓRIA E COM FIGURAS DE LINGUAGEM
-SENTIMENTO SOCIAL LIBERAL E ABOLICIONISTA

O Mal do Século


"Ergui os cabelos da mulher, levantei-lhe a cabeça... Era Neuza, mas Neuza Cadáver, já desbotada pela podridão. Não era aquela estátua alvíssima, as faces macias e colo de neve... Era um corpo amarelo... Levantei uma ponta da capa do outro - o corpo caiu de bruços com a cabeça para baixo - ressoou no pavimento o estalo do crânio... Era o velho - morto também e roxo e apodrecido: eu o vi - da boca lhe corria uma escuma esverdeada." - Trecho do livro Noite na Taverna do primeiro grande autor melancólico do Brasil: Álvares de Azevedo.

O Primeiro Romance Brasileiro: A Moreninha

Escrito por Joaquim Manuel de Macedo, foi publicado em 1844. Foi o primeiro romance-romântico brasileiro com inovações na forma e na temática, trazendo à luz o primeiro mito sentimental brasileiro, o da menina morena e brincalhona. Desbancando as loiras e pálidas européias, essa menina bem brasileira criou uma forte identificação com o público e teve uma ótima recepção crítica na época de sua primeira publicação.
O clímax do romance ocorre quando D.Carolina (a Moreninha) revela a Augusto ( ]par romântico da protagonista), ao deixar cair um breve contendo um camafeu, que é a mulher a quem ele tinha prometido se casar na sua infância, no final do Capítulo XXXIII:
“A menina, com efeito, entregou o breve ao estudante, que começou a descosê-Lo precipitadamente. Aquela relíquia, que se dizia milagrosa, era sua última esperança; e, semelhante ao náufrago que no derradeiro extremo se agarra à mais leve tábua, ele se abraçava com ela. Sé faltava a derradeira capa do breve.., ei-la que cede e se descose alta uma pedra... e Augusto, entusiasmado e como delirante, cai aos pés de d. Carolina, exclamandO:
- O meu camafeu! O meu camafeu!...”

3 comentários:

Geruza Zelnys de Almeida disse...

muito bom!

kethaca disse...

Moreninha!
...

impossivel nao lembrar!

Geruza Zelnys de Almeida disse...

moreninha... lembram daquela aula... que delícia e vcs todas preocupadas com o som... rsss